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Quando o marketing lembra que desejo vende

Ruan Bueno26 de julho de 2025· 3 min de leitura· 7 views
Quando o marketing lembra que desejo vende

As ações da American Eagle subiram quase 20% em poucos dias. Não foi um novo CEO, não foi um turnaround milagroso, e muito menos uma "experiência omnichannel gamificada". Foi a Sydney Sweeney de Jeans.

E sim, isso valeu US$ 300 milhões.

Enquanto o mercado ainda tentava entender o que foi esse meteoro de mídia, o que ficou evidente foi outra coisa: a publicidade voltou a entender pra quem ela fala. Aspiracional, sexy, direta. Nada de lição de moral com filtro de inclusão forçada. Quem compra quer estilo, não sermão.


Contextualizando o tombo

Entre 2021 e 2023, a American Eagle (AEO) viu suas ações despencarem de quase US$ 38 pra menos de US$ 10. Muita gente correu pra culpar o marketing de diversidade. Mas a realidade é mais complexa.

Mas a realidade é mais complexa. A queda veio depois, puxada por uma combinação de:

  • inflação;
  • problemas na cadeia de suprimentos;
  • mudanças de hábito no consumo pós-pandêmico.

Jaguar: quando o luxo esquece quem ele era

A Jaguar, uma marca sinônimo de luxo, potência e tradição britânica, decidiu lançar uma nova campanha totalmente voltada para sustentabilidade, inclusão e diversidade — com foco quase zero no produto. Nada de ronco do motor, curvas agressivas ou lifestyle aspiracional. A estrela era o discurso.

O resultado?

Reação morna do público tradicional, engajamento artificial nas redes e uma sensação geral de que a marca tentou ser algo que nunca foi. Porque uma coisa é evoluir. Outra é jogar fora décadas de posicionamento por uma causa que soa desconectada do que fez a marca ser desejada em primeiro lugar.

É como se a Ferrari lançasse um comercial com discurso de coletividade e uso consciente da velocidade. O público até respeita, mas ninguém compra uma Ferrari pra “frear com consciência”.


A diferença entre "representatividade" e "relevância"

Não é a diversidade o problema. É quando ela vira enfeite de vitrine, sem verdade nem identidade. Nessa hora, ninguém compra — nem ideia, nem produto.

Foi isso que marcas como Bud Light, Disney e Target esqueceram — e pagaram caro.

Enquanto isso, marcas como Porsche, Chanel e Zara continuam firmes. Sabe por quê? Porque nunca abandonaram o óbvio: você vende quando inspira. Não quando tenta dar aula.


Sydney Sweeney não é retrocesso. É memória.

A escolha dela é simbólica. Uma atriz jovem, bonita, carismática, que não tem medo de ser desejada — e que tem total controle da própria imagem.

Pra quem vê tudo com filtro ideológico, ela é só “sexualização”. Pra quem entende de mercado, ela é influência, beleza e controle narrativo — o que sempre vendeu.

O curioso é que essa campanha gerou mais engajamento e resultado em uma semana do que anos de conteúdo “autêntico” e “inclusivo”. A diferença? Ela vende.


E agora?

O mercado não aprendeu nada. Vai repetir o erro na próxima onda, como sempre. CEOs continuam seguindo pautas da mídia, agências seguem vendendo campanha que só elas gostam, e boa parte da publicidade ainda acredita que militância converte mais que desejo.

Mas, pelo menos por agora, o mundo lembra que beleza ainda vende. E que, no fim das contas, “lacrar” sem faturar não paga conta.


Moral da história?

Quem constrói empresa não pode se dar ao luxo de entrar em surto coletivo. Nem de virar laboratório ideológico.

A American Eagle levou uma surra do mercado, mas parece ter redescoberto o caminho. Ironia? Foi só lembrar que gente de verdade compra desejo, não doutrina.

E desejo, como vimos, ainda tem cotação em Wall Street.


Referências e Créditos

Sydney Sweeney para American Eagle
Imagem: Sydney Sweeney na campanha da American Eagle
Fonte da imagem: The Hollywood Reporter

Fontes para esta análise: